Reginaldo Faria (jornalista e diretor da Mediar Comunicaçao Integrada)

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O acesso ao curso superior, há pouco mais de 15 anos, exigia do candidato uma preparação digna de atleta. As pesadas provas dos processos seletivos eram aplicadas em até três dias consecutivos,fato que provocava arrepios naqueles que almejavam uma vaga no curso superior, mesmo em faculdades particulares. Os vestibulares das poucas faculdades existentes eram bastante disputados. Para aqueles que buscavam as universidades federais, a situação era ainda pior, já que a forte concorrência obrigava a uma preparação cada vez mais complexa. Cursinhos preparatórios, terapia com psicólogos, estudo em grupo, plantões que invadiam finais de semana, horas de estudos que adentravam pela madrugada, tudo era necessário na disputa das escassas vagas nos cursos superiores.

Assim como todo setor econômico, o mercado educacional passou por mudanças significativas nos últimos anos, principalmente no final da década de 90. Diferente de outrora, onde o acesso aos cursos era “coisa” para poucos, hoje, cursar uma faculdade está bem mais fácil. Os processos estão “bem light” e já não representam mais obstáculos, nem mesmo para os menos preparados. Frente a esta realidade, não são as faculdades que estão mais “solidárias” com os candidatos. A explicação para tal fenômeno é simples: sobram vagas no mercado e faltam consumidores (alunos) em mais um típico exemplo da “Lei da Oferta e da Procura”. É certo que o preço dos cursos ainda obedece um percentual mínimo, mas cada prospect é disputado “no grito” pelas instituições de ensino. Nos últimos anos, o Brasil presenciou um “boom” do crescimento no mercado educacional.

Segundo dados disponíveis no site do INEP, em 2000, existiam apenas 864 faculdades no país. Já em 2004, o número saltou para 1.474 instituições de ensino do tipo “faculdade”, número que corresponde a um aumento real aproximado de 70% no número de novas faculdades. A oferta de cursos superiores no Brasil também aumentou na mesma proporção em que surgiam novas instituições de ensino. Em 2000, havia uma oferta de 10.585 cursos de nível superior, oferecidos em universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades, institutos e centros de educação tecnológica.Em 2004, o número aumentou para 18.824, percentual que representa um incremento de 77% na oferta de cursos de nível superior (bacharelados, licenciaturas e tecnológicos).

O aumento na oferta no número de cursos e também o surgimento de novas instituições de ensino possibilitou o acesso ao ensino superior de uma parcela significativa da população. Até mesmo quem estava “há algum tempo” sem estudar, passou a ocupar o banco em alguma faculdade. A generosa oferta de cursos superiores no Brasil abriu as portas para muitos brasileiros. No momento em que o setor educacional experimenta um crescimento nunca antes vivenciado, surgem novas modalidades de ensino. Cursos oferecidos no sistema semi-presencial, cursos tecnológicos de curta duração, fusões de grandes grupos educacionais, novos recursos incorporados à sala de aula promoveram uma verdadeira revolução no Brasil. E, para fazer frente a toda esta série de mudanças e adquirir a tão almejada evidência no mercado, é preciso uma postura séria, responsável e ousada por parte da instituição de ensino.

Em tempos de profundas mudanças mercadológicas, toda e qualquer organização deve estabelecer metas e buscar resultados cada vez mais satisfatórios. E, para traçar planos, o primeiro passo seria o estabelecer quais são as premissas que orientam missão, negócio,visão e valores. Uma vez definidos, tais termos funcionam como “guias” rumo à excelência organizacional. Todavia, não é raro depararmos com casos onde missão, negócio, visão e valores são esquecidos em quadros na parede. Ali estão, estáticos e anônimos, servindo apenas como elemento de enfeite para determinado setor. O pensamento que ganha forma por meio da “missão” é muito mais do que uma frase de efeito.

O termo orienta atitudes da empresa frente às diversas realidades sociais, econômicas e culturais e deve ser seguido à risca por todos os membros que compõem a organização, desde níveis superiores até cargos operacionais. A avaliação periódica da “missão” e a implementação de ajustes necessários a atual situação da organização devem ser uma preocupação constante por parte dos gestores educacionais, uma vez que o termo constitui uma ferramenta de extrema importância no fortalecimento de planos para o desenvolvimento institucional. É certo que a “missão” ganha mais força quando promove uma completa integração dos diversos setores e passa a fazer parte do cotidiano da instituição.

Talvez o maior desafio seria colocar todos os colaboradores, suas posturas, suas formações pessoais e acadêmicas, em sintonia fina com o ideal da instituição. Devemos pensar que o mercado avança ferozmente, seja em oferta de cursos, seja na disputa por uma demanda cada vez menor de alunos. Somente as melhores instituições de ensino irão sobreviver, adquirindo maturidade em seu ramo de atuação. Desta forma, acreditamos que aquelas organizações “realmente fiéis” aos seus princípios irão colher os melhores frutos da lavoura.