Reginaldo Faria (jornalista e diretor da Mediar Comunicaçao Integrada)

Apresentar um produto ou serviço ao mercado não é tarefa fácil. Cada vez mais consciente de seus direitos, o consumidor nunca preocupou-se tanto com qualidade, preço e atendimento como agora. E para satisfazer suas necessidades, não economiza esforços. O consumidor percorre várias lojas, reclama sobre defeitos, exige presteza e respeito, solicita descontos… O poder de compra, arma daqueles que consomem produtos e serviços, deve ser utilizado da melhor maneira possível.

Diante de todo esse poder, as empresas acabaram por curvar-se frente ao consumidor que é tratado como um verdadeiro rei sentado no seu trono. O cidadão que sai às ruas todos os dias para comprar algo ou para contratar determinado serviço é o alvo das empresas. É preciso ouvir o consumidor e identificar quais são suas reais necessidades de consumo. O sucesso de uma empresa está relacionado com a satisfação de seus clientes.Hoje, pequenas, médias e grandes empresas, de diversos segmentos sócio-econômicos, preocupam-se cada vez mais com seus consumidores. Empresários quebram a cabeça para realizar um bom marketing em torno de seus produtos e/ou serviços. O cliente não é uma criança ingênua que aceita qualquer coisa. É preciso convencer o consumidor com argumentos inteligentes e soluções acessíveis.

Para cativar esse ser tão sensível e suscetível de emoções, as empresas estabelecem metas e desenvolvem ações através do marketing. Se uma empresa trabalha com determinado produto ou serviço, fica fácil gerar informações sobre o bem produzido. Trata-se de algo concreto, visível aos olhos e que pode ser avaliado através dos sentidos. O consumidor pode pegar, apalpar, observar, questionar como um maior referencial de realidade.

E quando o bem produzido pelas empresas são idéias e opiniões, os produtos da indústria jornalística? Na imprensa escrita, por exemplo, como convencer o leitor de que o jornal “A” é melhor do que o jornal “B”? Separado por uma linha da objetividade e da subjetividade dos acontecimentos, o jornalista lança em um pequeno pedaço de papel um recorte do real. Como produzir ações de marketing em torno desta realidade concreta e abstrata?

Os jornais, assim como qualquer empresa, perseguem ferozmente seus consumidores, ou melhor dizendo, seus leitores. Diferente do que aconteceu na época do Iluminismo, onde os jornais eram utilizados por alguns poucos privilegiados na divulgação de suas idéias, hoje, a imprensa escrita produz em escala industrial. A informação, mesmo sendo algo abstrato, deve ser divulgada para um maior número de pessoas e em um espaço de tempo cada vez menor.

Frente a esta realidade, a informação virou produto. A simples tarefa de se produzir uma notícia sobre determinado acontecimento relevante e de interesse coletivo segue uma série de regras e normas impostas pelo mercado. E as empresas jornalísticas brigam entre si e esbajam criatividade para deixar a notícia mais agradável aos olhos do leitor-consumidor. E neste combate, vale tudo, já que o mundo tem sede de informações.

Antes de se produzir alguma notícia sobre algo é preciso saber se assunto será absorvido pelo público interessado. Não faz sentido, desperdiçar uma pilha de jornais por falta de leitor. Identificada a necessidade de informação, o produto “notícia” recebe uma roupagem adequada às exigências do leitor. Ganha formas e status como se fosse uma jóia desejada por todas. E quando o produto está pronto, é preciso mostra-lo ao mundo.

O produto “notícia” é como o produto “sabonete”. Este pode cair das mãos da protagonista da novela das oito e levar milhões de consumidores a procurá-lo nas prateleiras dos supermercados. A notícia também pode estar nas mãos desta mesma atriz. Ela pode, por exemplo, ler determinado jornal em um restaurante, evidenciando sua preferência por este veículo de comunicação. Aqui, o processo é bem mais sutil. No entanto, o jornal é um produto como outro qualquer e justifica ações de marketing.